- Natal ...no hospital!!!

Que raio de consoada!!!

Lá fui eu, Domingo 23 de Dezembro, feliz e contente por essas estradas fora com o papá Pratas e a nossa pimpolha a caminho de Pedrogao Grande para passar o Natal com a familia. Viagem rápida e tranquila como deveriam ser todas.

Chegámos!!! Beijinhos para aquí, beijinhos para acolá, pôr a conversa em dia, jantar, ida a um barzinho.... tudo perfeito até ao deitar! Dia seguinte levantei cuzinho cedo da cama para ir fazer companhia à mana Bela a fazer as últimas comprinhas, buscar os bolinhos, etc, mas a coisa já nao estava bem. Umas dores nos rins no lado direito estavam a deixar-me mal disposta e com lágrimas nos olhos, mas era Natal e eu nao me queria queixar, achava que aquilo era normal da gravidez, tomei um Benuron e a coisa acalmou, mas o meu animo nao era definitivamente o melhor. Chegando a casa enfiei-me na cama outra vez, ainda adormeci um bocadinho mas às 13h00 acordei cheia de dores. Eram umas dores TERRIVEIS, nem sei explicar. Quando me mexia pior ainda, parecia que estava a levar facadas, literalmente. Com muita dificuldade lá me levantei e fui procurar o papá Pratas. Assim que cheguei à escada exterior já nao consegui dar passo, sentei-me a chorar e valeu-me o meu cunhado Henrique andar à procura da malta par ir almoçar e ... encontrar-me a mim.



A mana Bela voluntariou-se logo para ir para o Centro de Saúde comigo enquanto os homens iam almoçar (sim claro, eles podiam tudo menos ficar sem almoçar) e lá fomos nós. A mana Bela nao cabia em si de contente, estava já a contar que a menina fosse nascer naquela dia/noite, inclusive ligou ao papá Pratas para levar as malas da maternidade. Os meus olhinhos trocavam-se todos com as dores, e o Centro de Saude, que até era perto, parecia ficar a uma eternidade de distancia.



Chegámos!!! O CS estava vazio, que bom (normalmente nesta quadra nao há muitos doentes), mas... o médico tinha ido almoçar....buáááááááááá (será que esta malta só pensa em comer). Comecei a ficar stressada porque a enfermeira também suspeitava que eu pudesse estar a entrar em trabalho de parto, eu que ainda nao faço ideia do que isso seja comecei a acreditar. Lá chegou o médico que depois de lhe explicar as dores, olhou para mim e disse: "Voçê já devia estar no hospital, nem devia ter vindo para aquí... CHAMEM UMA AMBULÂNCIAAAAAAA" e eu pensei "pronto, querem lá ver que vou mesmo ter a menina agora".



Tinoni, tinoni, tinoni... lá veio a ambulância para me transportar para a Maternidade Bissaya Barreto que ficava quase a 100 km dalí. A mana Bela (que foi comigo na ambulância) ia radiante com a possibilidade do nascimento da Flor, mas quando eu disse que as dores estavam a acalmar notei uma certa desilusao no seu rosto (ou seria porque tinha deixado o arroz doce ao lume). Atrás seguiam-nos o Henrique e o papá Pratas com as malas da maternidade. E lá continuámos caminho...tinoni, tinoni, tinoni até chegarmos a Coimbra.



Fui recebida e atendida pelo excelente Dr. Pitorra que nao entendeu nada do que ia escrito na ficha. Eu que já estava melhor, consegui explicar o que sentia, e, até me levantei da maca sozinha (era o efeito do outro Benuron que tomei antes de sair de casa). O médico disse-me logo que eu nao estava a entrar em trabalho de parto, que o que eu tinha era uma Cólica Renal. "Quéééééééééééé´isso?" pensei logo eu, nunca tive nada disso e nem sabia do que se tratava.



Felizmente o Sr. Dr. era (e deve ser ainda) de uma simpatia e de uma atençao que só visto, entao explicou-me tudo com muita paciência. Examinou-me para confirmar se a nina nao queria mesmo saltar cá para fora e depois da confirmaçao e da ecografia quis ver os meus exames todos: analises, ecografias TUDO, TUDO (eu que estou habituada a ir a Setúbal e quase que os tenho que obrigar a olharem para a caderneta da grávida fiquei fascinada com tanta atençao), mas no meio de tanta simpatia e atençao foi inrredutivel quando me disse que... tinha de ficar internada. Como o Benuron estava a fazer efeito, as dores já eram quase nulas e eu nao entendia porque tinha de lá ficar. Eu chorei, pedi, implorei, apelei ao seu coraçao mas o Sr. Dr. disse-me logo que nada feito. A "análise da fitinha" acusava uma cólica renal "brutal" e o simpático Dr. Pitorra pediu-me muita desculpa mas avisou-me que eu ia ter uma recaída e ia ser pior, além de que eu estava a quase 100km do hospital era impensável mandar-me para casa...buáááááááááááááááááá.


Lá fui eu de camisa de dormir do hospital, agulha espetada no braço (para o soro) mais o papá Pratas para o 3º andar conhecer o quarto onde eu ia ficar...sabia-se lá quanto tempo. Eu só chorava, nao queria ficar no hospital, mas nao havia nada a fazer. Eu ainda pedi ao papá Pratas para falar com o médico e para a mana Bela falar também com o médico, mas nada feito. Parei de chorar quando vieram trazer o lanche (uiii cabom, já estava com uma larica), e pronto resignei-me. Despedi-me da familia com o meu "beicinho 31" (foi a derradeira tentativa para que me levassem, mas nao funcionou) e lá fiquei com o meu café com leite e o meu pao com manteiga.


No quarto estavam duas "gravidissimas". Uma já estava a espera que a viessem buscar para fazer uma cesariana, a outra que mais tarde vim a conhecer como Cristina, coitada, já lá estava desde sexta feira com a tensao alta e embora já lhe tivessem induzido o parto, a Leonor (futura filhotinha dela) nao queria sair cá para fora nem por nada. Eu e a Cristina acabámos por ficar com o quarto só para nós. Nao havia televisao entao restáva-nos conversar. Ela já estava farta de ali estar e todos os dias tinha esperança de ir para casa mas isso nao acontecia, e acreditem por muito bem que nos tratassem alí, a verdade é que sem televisao nem nada para nos distrair uma hora pareciam três.


Entretanto chegou a janta e eu, que toda a vida ouvi falar mal da comida do hospital, pensei "concerteza um peixe cozido com uma cenora sem sal" mas quando abri PLIIIIIIMMMMMM era bacalhau cozido, com batata e couve em azeite...mas digo-vos estava uma MARAVILHA...juro. Mas eu continuei a ser atacada pela minha má sorte, e nao é que a meio do meu repasto começa a dar-me outra crise de dores?!?! pois é verdade, já nao consegui comer mais, nem mesmo a rabanada e o arroz doce. Simplesmente larguei a comida e chamei a enfermeira, que ao ver o soro já medicado a nao fazer efeito, contactou o medico para me poder dar uma "super injecçao". E assim foi, injecçao dada, encolhi-me na cama à espera que as dores passasem e naquela altura fiquei feliz por o Dr. me ter obrigado a ficar no hospital.


Adormeci, mas de vez enquando acordava com uma sede que parecia que tinha feito a maratona de nao sei quantos quilometros no deserto, valeu-me a garrafa de água que o papá Pratas me tinha comprado, quase nao sobrou gota. Voltava a adormecer e a acordar, até que uma das vezes já por volta da meia-noite acordei imagine-se... com o papá Pratas. De início pensei que era uma visao causada pela sede, mas nao, era mesmo ele e o sobrinho Márcio que tinham vindo passar a meia-noite comigo (iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii) KABOOOMMMM.


E assim foi a minha consoada. No dia seguinte exame para aqui, exame para acolá, ainda com alguma relutancia da médica que tinha entrado de serviço, foi-me dada alta (depois de eu voltar a implorar) e ainda consegui ir almoçar com a familia, mas à tarde tive de ficar na caminha. A Cristina é que lá ficou já com indicios de depressao, sem a minima noçao de quando iria para casa. Antes de me vir embora ela confidenciou-me que naquela manha lhe tinham administrado medicaçao para tentar induzir novamente o parto, como me vim embora estou até hoje sem saber o que se passou, mas nesta altura tenho quase a certeza que a Leonor já cá está fora a fazer as delícias da Cristina e da sua familia. MUITAS Felicidades é o que eu lhes desejo.


Eu fiquei com uma cara de peixe balao, inchadíssima devido à medicaçao. Mas o importante é que já estava em casa, abri as minhas prendinhas e comi tudo o que tive direito. É assim a vida, fui eu daqui fazer 200 e nao sei quantos quilómetros para passar o Natal com a familia e acabei numa maternidade rodeada de novas maes com os seus meninos Jesus (e acreditem, eram mesmo meninos...quase tudo rapazes), a jantar em companhia da Cristina (de quem nunca tinha ouvido falar e vice versa). Na realidade, apesar de tudo, nao foi mau!!!

6 Meiguices:

Moranguinha disse...

xiça! cólica renal não deve ser nada fácil! :(
Mas foi gira a surpresa do Papá e do sobrinho! E agora o importante é estares em casa nos mimos e a Flor estar ainda no quentinho! Já faltou mais!
Espero que a passagem para 2008 tenha corrido melhor!
As melhoras!
beijinhos
PS- já te dei acesso bigada!

Sofia e Pedro disse...

Tiveste uma consoada no hospital, imagino o teu desespero e ansiedade em saber se a Flor iria ou não nascer. Nada disso, ainda é cedo!

Beijinhos e bom fim-de-semana, Sofia, Pedro e Joana

Sofia e Pedro disse...

Olá linda, sobre o texto que publiquei sobre a preparação das malas para levar para a maternidade, tens toda e qualquer autorização para criares um link. Se eu puder ser útil a um número superior de futuras mamãs é sempre bom e gratificante!
Beijinhos, Sofia, Pedro e Joana

Anónimo disse...

Claro que sim tenho muito gosto em que faças referencia ao meu blog. Hoje sinto-me indisposta... Queria saber ao fi de quanto tempo se sentem os sintomas normais da gravidez... Obrigada

Moranguinha disse...

Tens um mimo no meu blog! Beijinhos grandes!

Anónimo disse...

Olá. Eu ando a treinar há menos de uma semana. Comecei quase uma semana antes do periodo fertil. É este o primeiro mês por isso não sei... Vamos ver, quando for será! bJs

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