- Azar atrás de azar ... Oh valha-me Deus!!!



O azar persegue-me … não há nada a fazer!!! Hoje eu e a minha amiga Célia já nos apelidámos, no messenger, como as “Irmãs Metralha 1313”, é que sao uns atrás dos outros.

Pois então no sábado fui ao encontro da Pré-Natal. Como o papá Pratas estava de patrulha fiquei na casa da vovó Aninhas a fazer tempo para o ir buscar às 20h00 (é que agora só temos um carro). Já estive todo o dia com uma moinha nos rins e como se não bastasse, quando ia para casa, pimba... pneu furado. Imaginem: eu gravidíssima, no meio do nada, noite escura e... pneu furado. Como se não bastasse peguei no telemóvel para ligar ao papá Pratas e a bateria do dito telemóvel começa a dar sinal de descarregada... comecei a entrar em pânico. Eu nem era suposto estar naquela estrada, normalmente vou pela auto-estrada, mas como estava com tempo fui por outro caminho para ir ao supermercado porque apetecia-me peixe para o jantar.

Bem, liguei ao papá Pratas (o meu suposto príncipe) com o poucachinho de bateria que restava, assim que ele atendeu falei tudo seguido sem respirar com medo que a chamada fosse abaixo. Já estava com alguma falta de oxigénio, mas ainda consegui explicar mais ou menos onde estava (coisa que nem eu sabia bem). Depois daquele esforço todo, não é que a bateria agüentou tempo suficiente para o papá Pratas me dar um esgalhão, qual príncipe qual carapuça, um belo SAPO me saiu ele naquele momento. Já não bastava eu estar enervada, ainda tive de ouvir “porque é que foste por aí?” “tinhas mesmo de ir comprar peixe?” e sei lá mais o quê.... como se estas coisas não acontecessem a quem anda na estrada. Oh valha-me Deus!!! Acabou a chamada com ele a dizer-me “ vou aí ter, tchau”.

Como devem calcular, aquele telefonema não me ajudou nada, ainda me enervou mais. Fui até um Stand de Automóveis que havia ali perto (já estava a fechar) e o dono foi uma simpatia e disse que me ia lá ajudar (nunca lhe serei suficientemente grata). Não sei como ele fez aquilo, mas mudou o pneu em três tempos (eu tinha ficado ali a noite toda só a tentar tirar a porca de segurança da jante). Azar dos azares o pneu sobresselente, além de parecer um pneu de uma bicicleta (comparado com os outros), estava meio vazio (DICA: vão verificando o ar do pneu sobresselente de quando em vez... ). Vá lá, ainda consegui chegar até à bomba da gasolina e enchê-lo. De lá contactei o "sapo" para dizer que já não era necessário vir, mas ele já estava a chegar com o tio Viana (o tio binu, tão querido foi ajudar o papá). Claro que tive de o ouvir mais um bocadinho (e o servicinho de mudar o pneu já estava feito, agora imaginem se nao estivesse), e depois de ele ver o pneu aí é que foi o bonito. O pneu não estava furado, estava descolado. Ao que parece devo ter passado num buraco e entortou-se a jante e descolou o pneu e....o resultado foi aquele. Eu sinceramente já estava farta de o ouvir ( blá, blá, blá, blá....), antes que eu arranja-se força para pegar no pneu e dar-lhe com ele na cabeça, entrei dentro do carro e disse que ia buscá-lo ao posto (o tio Viana a curtir a cena de camarote).
Nem o príncipe me veio salvar num cavalo branco (caladinho e bem disposto como se prentende), como ainda fala, fala, fala, fala como se a ele nunca lhe acontecessem azares (e é que depois nao o vejo a fazer nada). Pois, pois, nao lhe acontessem lá agora. Perguntem-lhe lá quem pôs a outra viatura inoperacional com um acidente... sim, sim perguntem-lhe. Ele é capaz de nao vos querer responder e exigir a presença do advogado, mas eu dou-vou uma ajuda: somos apenas os dois lá em casa a conduzir as viaturas e... nao fui eu!
Adiante, o papá Pratas depois pediu desculpas e afinal o rapazito até é jeitoso e nessa noite arranjou a jante, e pôs o pneu logo a circular como se nada se tivesse passado (a sério que sózinho tratou de tudo em três tempos).

Eu sinceramente fiquei agoniada, apanhei um susto enorme quando me vi naquela situação (depois desembaracei-me, mas no momento fiquei extremamente angustiada)). Já aquilo se tinha passado à que tempos, mas aquela angústia nao me largou durante várias horas e a dor nos rins piorou. O resultado foi outra crise de cólica renal nessa noite até às 08 da manha e eu ... sozinha em casa, é que o “jeitoso” entrou novamente de serviço à meia-noite.

Foi duro!! Por volta da 08h da manha de domingo o comprimido Tramal começou a fazer efeito, mas não é que começo a ficar cheia de dores na “parreca”, parecia que tinha levado uma bolada logo abaixo da barriga. Isto durou todo o dia. Eu sinceramente já pensava que ia ter a menina ontem, nem conseguia andar. Hoje fiquei a saber que aquilo eram contracções de
Braxton Hicks, perfeitamente normais nesta altura. Mas ia ficar mais uma noite sozinha, o “jeitoso” ia entrar à 01h00 da manha. Estava cheia de medo e com tudo preparado para um possível parto. Mas a noite foi tranqüila e dormi que nem um anjinho. Vá-se lá entender isto…

- Encontros


No sábado fui ao Encontro da Pré-Natal - “Maternal e Amamentação” e hoje não podia deixar de vir aqui contar-vos. Para ser sincera, neste encontro não aprendi quase nada de novo porque já estava muito informada da maioria dos assuntos que foram tratados, mas gostei muito na mesma e sempre tirei algumas dicas.

Por exemplo: que devemos continuar a pôr o creme anti-estrias até dois meses após o parto e duas vezes por dia (não uma como eu ponho e com muito custo por causa do frio). Pois, pois, frios à parte e preguiça também toca a hidratar o corpinho. Eu usava o Creme Gordo Barral, que é óptimo, comprava os boiões porque duram mais, são mais práticos para tirar o creme. Mas à um tempo atrás descobri um EXCELENTE, é o D’AVEIA anti-estrias e também se vende em boiões grandes. É um bocadinho mais caro, mas vale muito a pena. Este não só promove a hidratação como possuí uma quantidade de substâncias com acção específica na prevenção do aparecimento de estrias e um inibidor das enzimas responsáveis pelas destruiçao das fibras elásticas da pele. Além de que não ficamos tão gordurosas como com o Creme Gordo e podemos aplicar de manhã sem estar não sei quanto tempo à espera que seque, um MUST. Outra coisa que aprendi foi que já devia ter começado a preparar os mamilos desde os seis meses de gravidez (uuuppss), lá está, eu punha creme gordo mas nao tem nada a ver. Existem cremes específicos para os mamilos, eu em Novembro comprei o Gretalvite na farmácia, para ter em casa caso viesse a necessitar depois da pimpolha nascer, mas agora fiquei a saber que é para utilizar . E desde ontem que estou a pôr, agora digo-vos uma coisa ...aquilo cheira horrívelmente maaaaaaallllll!!! Outra coisa, eu já deito um bocadinho de colostro, entao também já devo usar discos descartáveis...é importantissimo manter os mamilos sequinhos para nao gretarem.

A parte da amamentaçao foi muito interessante, mas espero que seja mais fácil do que parece, porque amamentar é EXCELENTE. É prático, é mais saudável para a/o bebé, e........ emagrece (iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii). Por isso a palavra de ordem é INSISTIRe nao desistir. Acho que de principio é um pouco dificil, porque o bebé também nao vem ensinado e quando é o primeiro filho acaba por ser uma aprendizagem para os dois nos primeiros tempos, acho que muitas vezes nao é nada fácil. Também aprendemos a fazer as Malas da Maternidade (nossa e do bebé), mas achei as indicaçoes referentes a esse tema muito básicas. As minhas malas têm muito mais coisas (mas muitas mais), e já referi no post anterior, visitem o Blog da Sofia (a quem eu deixo uma beijoka laroca) e vejam o post que ela tem sobre este tema, nao falta lá NADA... mas deixo uma dica que aprendi na Pré-Natal, nao façam apenas uma mala juntando as vossas coisas com as dos bebé (eu por acaso fiz uma mala para cada uma), nao é prático e quando o/a bebé nasce as enfermeiras que levam o/a bebé e necessitam também levar a mala e se as vossas coisas estiverem junto ficam sem o que precisam para se tratarem até que vos venham trazer a dita mala.


Estou sem tempo agora para mais, no próximo sábado há outro encontro da Pré-Natal desta feita sobre "Recém-Nascido e o seu Ambiente" eu estou lá caidinha, já estou inscrita desde Novembro. Como nao tenho tanta informaçao sobre este tema vai ser melhor. Se bem que a informaçao nunca é excessiva, e estes encontros (pelo menos os da Pré-Natal) nao têm fins comerciais porque nao somos bombardeadas com possiveis produtos da marca para as diferentes situaçoes, absolutamente NADA, acreditem.


Vou-me pôr a trabalhar, acompanhada por este cheiro horrível do creme que me invade as narinas de vez enquando...(aargghhhh). Aaahhh e nao vale a pena tentar disfarçar com perfume...só pioooora!!!


P.S. Gostaria de referir mais duas coisas que achei interessantes e lembrei-me agora:

Na altura de dar leite em pó ao bebé meter sempre primeiro no biberon a quantidade de água e só depois o leite em pó (para as medidas baterem certinhas).

A outra é importantíssima, evitem dar logo chucha ao bebé nos primeiros dias da maternidade, é que as formas das chuchas sao muito diferentes da dos mamilos, torna-se muito mais dificil eles adaptarem-se ao peito depois de experimentarem a chucha. Fora com as chuchas nos primeiros dias. Eles até aconselham a nao as levar para a maternidade porque a tendência de algumas enfermeiras quando as vêem na mala é...enfiá-las logo nos bebés. Eu vou levar as minhas (tenho medo que faça falta, sei lá se posso dar leite), em todo o caso escondo-as (ihihihihihihi).

- Um dia .... HOJE é o dia!!!





Um dia vai sair-me o Euromilhoes...HOJE é o dia!!! (Pois, dava jeito e é sexta-feira e tudo, nunca se sabe.)
Eu não bebo café porque não posso, sou intolerante à cafeína, mas mesmo quem não bebe café conhece uma das últimas campanhas dos cafés Nicola “Encontros perfeitos” nos pacotes de açúcar, na rua etc. Eu pessoalmente achei fantástica. E dá que pensar, na verdade pensamos sempre “um dia..”, “um dia...” e porque não HOJE. E as sugestões da Nicola são lindas e... porque não tentar fazer algumas.

Não tenho internet em casa e por isso só posso escrever os post do meu blog no trabalho, mas este tem sido mais que muito e não tenho tido um bocadinho que me permita fazê-lo, até as horas de almoço são passadas a correr, acreditem. Às vezes no pouco tempo que tenho ao almoço, perco-me a ler os blogs das outras mamãs que tenho vindo a descobrir e que adoro. Tenho tanto para esctrever. Hoje foi mais um dia que eu pensei “Um dia tenho de escrever mais um post”, mas lembrei-me da campanha da Nicola e acrescentei ao meu pensamento “HOJE é o dia”.

Lá em casa MALAS A POSTOS, sim amanha já faço as 36 semanas e as minhas malinhas para a maternidade já estão prontinhas. A da minha princesa já estava pronta à algum tempo, a minha é que estava custosa de acabar. Tirei ideias de aqui e de acolá então vou contar-vos o que levo, se virem que falta alguma coisa por favor comentem (a ver se me recordo de tudo):

Mala da princesa Flor:
· Uma manta/cobertor
· 4 fraldas de pano
· 6 mudas de roupa completas já prontas divididas por saquinhos (para não haver misturas), compostas cada uma por:
1 camisola interior (daquelas que cruzadas à frente) + outra sem mangas para vestir por baixo
1 calças interiores
1 meias/botinhas
1 babygrow
· 1 pacote de fraldas recém-nascido Dodot
· 1 pacote de toalhetes Dodot
· 1 conjunto de produtos de banho e higiene da Uriage (levo o conjunto completo que vem dentro de uma bolsinha muito linda que também vai)
· 1 porta chuchas
· 2 chuchas diferentes (uma com a tetina borracha e outra com tetina de silicone)
· 1 casaco de malha
· 3 toalhas de banho
· Um kispo corpo inteiro da Chicco (há quem chame um ninho) para quando ela sair da maternidade estar sempre quentinha
(acho que não me esqueci de referenciar nada)


Mala da mamã barriguitas:
· 1 roupao
· 2 camisas de dormir abertas à frente
· 1 pijama com a parte de cima aberta à frente(não gosto de camisas de dormir, pode ser que dê para vestir o pijama)
· 2 toalhas de banho
· Discos de amamentação descartáveis da Chicco
· 3 soutiens de amamentação
· 8 cuecas descartáveis (comprei no jumbo dois pacotes com quatro cada)
· Produtos de higiene como se fosse de viagem (shampoo, sabonete, pasta e escova de dentes, escova do cabelo)
· Cremes hidratantes para o rosto da Dermisoja e hidratante anti-estrias para o corpo da marca D'Aveia (é preciso não descuidar os bons hábitos).
· Base, rimel transparente e gloss (nada como dar um toquezinho suave de maquilhagem para ficar com bom ar)
· Secador e desfrisador de cabelo (quero estar boniiiiiita)
· 1 par de chinelos quarto e uns para o banho

· Sacos para pôr a roupa suja
· 1 pacote de pensos grandes (enoooormes) da Ausonia

.1 Embalagem de liquido Alkagin para lavar "a parreca" (higiene intima).

. 1 Carregador do telemóvel

(falta pôr a cinta/espartilho que a prima Susana vai emprestar)

E pronto acho que está tudo. Espero que não me faça falta mais nada, se fizer peço ao papá Pratas ou à vovó Aninhas para me levarem. Entretanto deixo em casa a roupa, já pronta, para sair da maternidade que fica o papá Pratas encarregue de levar no último dia, assim como o Ovo para transportar a princesa.

Se querem mesmo saber o que se deve levar para a maternidade, num texto fantástico aconselho-vos a visitar o Bolg da Sofia. Além do próprio blog ser fantástico, ela tem um post sobre este tema extremamente bem feito, muito cuidado e deveras esclarecedor. Ela refere marcas, preços, tudo. AMEI, não deixem de lá ir. Notem é que a Sofia teve a sua Joaninha na maternidade do Hospital Cuf Descobertas, é um particular e assim fornece algumas coisas que um hospital público não. A Sofia já tem a experiência, sabe do que fala e para que serve tudo...

Quero deixar um beijinho à mae babada do Feijao Rafa, a Moranguinha, que me atribuíu o prémio Simpatia 2007, eu que nem sabia que esses prémios existiam fiquei tao contentinha, acho que agora tenho de atribuir esse prémio a outros blogues, ainda tenho que ir ler com mais atençao como se faz, e tenho de ir ler mais Blogs das outras mamas para poder atribuir o mais justamente possível. Obrigada Moraguinha. Agora o pior... arranjar tempo.

Bem, agora vou pôr-me a trabalhar, nao vá o Euromilhoes nao me sair hoje e depois sem trabalho nao há papinha para a Flor, que pelo tamanho da minha barriga, as cuzadas, pontapés e cotoveladas com que me presenteia durante o dia me parece estar a desenvolver-se muito bem.

Antes de pegar duro no trabalho vou comer um pastel de nata que está alí na minha mala. Nao faço a mais pequena ideia de como semelhante pastel lá foi parar, acho que saltou, SÓZINHO, lá para dentro quando fui ao café. Já viram o ordinarao!!!! Vem embrulhado e tudo...(há coisas que ultrapassam a minha compreensao). Mas pronto, já que está alí o melhor é comê-lo para nao se estragar.

E nao se esqueçam.... qual "Um dia" qual quê... HOJE é o dia!!!!

- Natal ...no hospital!!!

Que raio de consoada!!!

Lá fui eu, Domingo 23 de Dezembro, feliz e contente por essas estradas fora com o papá Pratas e a nossa pimpolha a caminho de Pedrogao Grande para passar o Natal com a familia. Viagem rápida e tranquila como deveriam ser todas.

Chegámos!!! Beijinhos para aquí, beijinhos para acolá, pôr a conversa em dia, jantar, ida a um barzinho.... tudo perfeito até ao deitar! Dia seguinte levantei cuzinho cedo da cama para ir fazer companhia à mana Bela a fazer as últimas comprinhas, buscar os bolinhos, etc, mas a coisa já nao estava bem. Umas dores nos rins no lado direito estavam a deixar-me mal disposta e com lágrimas nos olhos, mas era Natal e eu nao me queria queixar, achava que aquilo era normal da gravidez, tomei um Benuron e a coisa acalmou, mas o meu animo nao era definitivamente o melhor. Chegando a casa enfiei-me na cama outra vez, ainda adormeci um bocadinho mas às 13h00 acordei cheia de dores. Eram umas dores TERRIVEIS, nem sei explicar. Quando me mexia pior ainda, parecia que estava a levar facadas, literalmente. Com muita dificuldade lá me levantei e fui procurar o papá Pratas. Assim que cheguei à escada exterior já nao consegui dar passo, sentei-me a chorar e valeu-me o meu cunhado Henrique andar à procura da malta par ir almoçar e ... encontrar-me a mim.



A mana Bela voluntariou-se logo para ir para o Centro de Saúde comigo enquanto os homens iam almoçar (sim claro, eles podiam tudo menos ficar sem almoçar) e lá fomos nós. A mana Bela nao cabia em si de contente, estava já a contar que a menina fosse nascer naquela dia/noite, inclusive ligou ao papá Pratas para levar as malas da maternidade. Os meus olhinhos trocavam-se todos com as dores, e o Centro de Saude, que até era perto, parecia ficar a uma eternidade de distancia.



Chegámos!!! O CS estava vazio, que bom (normalmente nesta quadra nao há muitos doentes), mas... o médico tinha ido almoçar....buáááááááááá (será que esta malta só pensa em comer). Comecei a ficar stressada porque a enfermeira também suspeitava que eu pudesse estar a entrar em trabalho de parto, eu que ainda nao faço ideia do que isso seja comecei a acreditar. Lá chegou o médico que depois de lhe explicar as dores, olhou para mim e disse: "Voçê já devia estar no hospital, nem devia ter vindo para aquí... CHAMEM UMA AMBULÂNCIAAAAAAA" e eu pensei "pronto, querem lá ver que vou mesmo ter a menina agora".



Tinoni, tinoni, tinoni... lá veio a ambulância para me transportar para a Maternidade Bissaya Barreto que ficava quase a 100 km dalí. A mana Bela (que foi comigo na ambulância) ia radiante com a possibilidade do nascimento da Flor, mas quando eu disse que as dores estavam a acalmar notei uma certa desilusao no seu rosto (ou seria porque tinha deixado o arroz doce ao lume). Atrás seguiam-nos o Henrique e o papá Pratas com as malas da maternidade. E lá continuámos caminho...tinoni, tinoni, tinoni até chegarmos a Coimbra.



Fui recebida e atendida pelo excelente Dr. Pitorra que nao entendeu nada do que ia escrito na ficha. Eu que já estava melhor, consegui explicar o que sentia, e, até me levantei da maca sozinha (era o efeito do outro Benuron que tomei antes de sair de casa). O médico disse-me logo que eu nao estava a entrar em trabalho de parto, que o que eu tinha era uma Cólica Renal. "Quéééééééééééé´isso?" pensei logo eu, nunca tive nada disso e nem sabia do que se tratava.



Felizmente o Sr. Dr. era (e deve ser ainda) de uma simpatia e de uma atençao que só visto, entao explicou-me tudo com muita paciência. Examinou-me para confirmar se a nina nao queria mesmo saltar cá para fora e depois da confirmaçao e da ecografia quis ver os meus exames todos: analises, ecografias TUDO, TUDO (eu que estou habituada a ir a Setúbal e quase que os tenho que obrigar a olharem para a caderneta da grávida fiquei fascinada com tanta atençao), mas no meio de tanta simpatia e atençao foi inrredutivel quando me disse que... tinha de ficar internada. Como o Benuron estava a fazer efeito, as dores já eram quase nulas e eu nao entendia porque tinha de lá ficar. Eu chorei, pedi, implorei, apelei ao seu coraçao mas o Sr. Dr. disse-me logo que nada feito. A "análise da fitinha" acusava uma cólica renal "brutal" e o simpático Dr. Pitorra pediu-me muita desculpa mas avisou-me que eu ia ter uma recaída e ia ser pior, além de que eu estava a quase 100km do hospital era impensável mandar-me para casa...buáááááááááááááááááá.


Lá fui eu de camisa de dormir do hospital, agulha espetada no braço (para o soro) mais o papá Pratas para o 3º andar conhecer o quarto onde eu ia ficar...sabia-se lá quanto tempo. Eu só chorava, nao queria ficar no hospital, mas nao havia nada a fazer. Eu ainda pedi ao papá Pratas para falar com o médico e para a mana Bela falar também com o médico, mas nada feito. Parei de chorar quando vieram trazer o lanche (uiii cabom, já estava com uma larica), e pronto resignei-me. Despedi-me da familia com o meu "beicinho 31" (foi a derradeira tentativa para que me levassem, mas nao funcionou) e lá fiquei com o meu café com leite e o meu pao com manteiga.


No quarto estavam duas "gravidissimas". Uma já estava a espera que a viessem buscar para fazer uma cesariana, a outra que mais tarde vim a conhecer como Cristina, coitada, já lá estava desde sexta feira com a tensao alta e embora já lhe tivessem induzido o parto, a Leonor (futura filhotinha dela) nao queria sair cá para fora nem por nada. Eu e a Cristina acabámos por ficar com o quarto só para nós. Nao havia televisao entao restáva-nos conversar. Ela já estava farta de ali estar e todos os dias tinha esperança de ir para casa mas isso nao acontecia, e acreditem por muito bem que nos tratassem alí, a verdade é que sem televisao nem nada para nos distrair uma hora pareciam três.


Entretanto chegou a janta e eu, que toda a vida ouvi falar mal da comida do hospital, pensei "concerteza um peixe cozido com uma cenora sem sal" mas quando abri PLIIIIIIMMMMMM era bacalhau cozido, com batata e couve em azeite...mas digo-vos estava uma MARAVILHA...juro. Mas eu continuei a ser atacada pela minha má sorte, e nao é que a meio do meu repasto começa a dar-me outra crise de dores?!?! pois é verdade, já nao consegui comer mais, nem mesmo a rabanada e o arroz doce. Simplesmente larguei a comida e chamei a enfermeira, que ao ver o soro já medicado a nao fazer efeito, contactou o medico para me poder dar uma "super injecçao". E assim foi, injecçao dada, encolhi-me na cama à espera que as dores passasem e naquela altura fiquei feliz por o Dr. me ter obrigado a ficar no hospital.


Adormeci, mas de vez enquando acordava com uma sede que parecia que tinha feito a maratona de nao sei quantos quilometros no deserto, valeu-me a garrafa de água que o papá Pratas me tinha comprado, quase nao sobrou gota. Voltava a adormecer e a acordar, até que uma das vezes já por volta da meia-noite acordei imagine-se... com o papá Pratas. De início pensei que era uma visao causada pela sede, mas nao, era mesmo ele e o sobrinho Márcio que tinham vindo passar a meia-noite comigo (iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii) KABOOOMMMM.


E assim foi a minha consoada. No dia seguinte exame para aqui, exame para acolá, ainda com alguma relutancia da médica que tinha entrado de serviço, foi-me dada alta (depois de eu voltar a implorar) e ainda consegui ir almoçar com a familia, mas à tarde tive de ficar na caminha. A Cristina é que lá ficou já com indicios de depressao, sem a minima noçao de quando iria para casa. Antes de me vir embora ela confidenciou-me que naquela manha lhe tinham administrado medicaçao para tentar induzir novamente o parto, como me vim embora estou até hoje sem saber o que se passou, mas nesta altura tenho quase a certeza que a Leonor já cá está fora a fazer as delícias da Cristina e da sua familia. MUITAS Felicidades é o que eu lhes desejo.


Eu fiquei com uma cara de peixe balao, inchadíssima devido à medicaçao. Mas o importante é que já estava em casa, abri as minhas prendinhas e comi tudo o que tive direito. É assim a vida, fui eu daqui fazer 200 e nao sei quantos quilómetros para passar o Natal com a familia e acabei numa maternidade rodeada de novas maes com os seus meninos Jesus (e acreditem, eram mesmo meninos...quase tudo rapazes), a jantar em companhia da Cristina (de quem nunca tinha ouvido falar e vice versa). Na realidade, apesar de tudo, nao foi mau!!!